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Artigo

Reino Unido e desemprego

André Souza (*)

Uma década atrás aproximadamente 1.5 milhões de pessoas em idade ativa encontravam-se desempregadas no Reino Unido

2001 havia sido o ano dos ataques terroristas em Nova Iorque. Isso afetara o clima de festa dos anos de prosperidade que ainda vigoravam aqui no Reino Unido. Aquele clima de deixa rolar ia aos poucos sendo destruído pela suspeita de inimigos internos. Os aeroportos já não eram mais a porta de entrada da riqueza étnica que mais do que nunca caracterizava o dia a dia londrino. Os aeroportos estavam agora em permanente estado de alerta.

A previsão de crescimento da economia britânica do FMI fora reduzida de 2.4% para 1.8%. O crescimento da economia acabou alcançando apenas 1.6%. Hotéis e restaurantes, como era de se esperar, estavam entre os negócios mais afetados.
Mesmo assim, o desemprego estava longe dos níveis alarmantes (para os padrões do país) de hoje. Neste momento, aproximadamente 2.7 milhões de cidadãos em idade ativa encontram-se desempregados, ou seja, 8.4% da população. 2.7 milhões de desempregados foi mais ou menos o número em 1994, que já caia na época e continuou caindo continuamente até o primeiro semestre de 2001.

Até a segunda metada de 2005, o ano dos ataques terroristas no sistema de transporte público de Londres, o nível de desemprego manteve-se relativamente estável, com leve elevações e declínios. Um mes depois dos ataques o número de desempregados começou a subir e nunca mais parou. Entre o fim da década de 90 e o primeiro quarto de década do século XXI, Londres era uma cidade onde ninguém precisava ficar desempregado. Quando os ataques terroristas do IRA praticamente pararam (os útimos foram em 2001), Londres era uma ilha de prazer e paz, e empregos.

Nesses dias de escuro e frio, em que nem as poças d’água refletem luz, pois tornam-se gelo, é difícil resistir à tentação de perguntar-se por que alguem quereria atacar esta cidade. Mas isso nada mais é que a impressão de alguém que, por lembrar tempos melhores, torna-se momentariamente cego para a riqueza óbvia das ruas. É uma situação difícil e mesmo triste, mas a economia britânica é forte e Londres, que é o motor econômico principal do país, é uma cidade que é e sempre foi trabalhadora e inventiva. Melhores tempos virão, sem dúvida.

Enquanto isso gente de todas as idades segue adiante, muitas vezes com diplomas universitários debaixo do braço, procurando uma oportunidade, disputando vagas com números cada vez maiores de candidatos, pensando se não seria melhor ir tentar a sorte no Brasil.

*“André Souza, é brasileiro, tradutor e intérprete, residindo em Londres há treze anos”.
(andrerodriguesdesouza@yahoo.co.uk).


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