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Artigo

A inacreditável campanha do Serra

Mauricio Souza (*)

A campanha de Serra à presidência é uma daquelas coisas que causam perplexidade

Posso falar francamente uma vez que não tenho qualquer simpatia ou antipatia pelo ex-governador de São Paulo. Sempre o vi como um engenheiro, bom administrador e sem escândalos ou desconfianças de corrupção em sua carreira pública.

Fisicamente não é um homem carismático, muito pelo contrário, é feinho e prá completar tem um sorriso que expõe as gengivas e não ajuda.

Mas eu acho que se beleza fosse importante prá governar uma cidade, estado ou país, deveríamos votar nos galãs e nas estrelas das telenovelas.

E além do mais, a Dilma não é nenhuma Luana Piovani.

Enfim, simpático ou antipático, bonito ou feio, caloroso ou frio, a verdade é que o Serra tem um currículo positivo e poderia, perfeitamente, fazer um excelente governo como presidente.

Poderia também neste momento estar liderando as pesquisas. Mas, não é o que ocorre, Dilma disparou e somente um acontecimento muito grave poderá tirar da candidata petista a vitória nessas eleições.

Mas, assim que pude ver a campanha do Serra tive a sensação de que ou o pessoal endoidou ou foi o marqueteiro da Dilma que fez.

Por tudo que já fez, Serra não poderia passar por tanto vexame. Colocar-se com uma pessoa capaz de dar continuidade ao trabalho do Lula pode, ingenuamente, parecer uma estratégia correta para não bater de frente com os altos índices de popularidade do atual governo. Mas para o eleitor, funciona como um aval a tudo o que Lula fez. E tentar passar a idéia de que Dilma não é o Lula e, portanto, não tem competência para sucedê-lo, é outro furo n’água, pois para a população, Luiz Inácio continuará dando as cartas num eventual governo da petista.

Serra deveria ter centrado seu programa em três frentes: primeiramente, em vez de ignorar o governo Fernando Henrique, deveria sim, expor a importância de tudo o que foi feito por ele e que o governo Lula soube aproveitar e colher os louros.

Em segundo lugar deveria apontar todos os furos do atual governo e o que faria para solucionar.

Por fim, de que forma daria não só continuidade, mas aperfeiçoaria os projetos bem sucedidos desse governo.

Ora, bolas, o Serra não é nenhum novato, tem experiência e competência, tanto para criticar, quanto para apresentar tecnicamente, um bom programa de governo.

Infelizmente para o candidato do PSDB, não foi feito nada disso e, pior, tentou-se adotar uma postura popular, que não combina com ele. Na tentativa de passar simpatia, sua fala ficou mais suave, lembrando muito mais o monsenhor de uma grande paróquia, do que um candidato à presidência do país.

(*) - É publicitário, escritor e sócio-diretor de criação da Bee Comunicação Associados. (mauricio@bee.com.br)


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