Os desafios da administração de redes em locais remotos

Muitas companhias operam com redes de dados distribuídas em diversas localidades. Para as grandes organizações, que operam em múltiplos espaços, esse problema pode ser resolvido com uma equipe de tecnologia em cada um desses locais. Mas, para empresas menores ou as que operam com nenhuma ou pequenas equipes alocadas, a opção de designar um time de TI para cada local remoto é simplesmente impossível

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Renato Rosseto (*)

Há muito tempo este tem sido um grande problema para entidades como redes de escolas, presídios, municípios, operadores de transporte público, escritórios imobiliários, e uma grande variedade organizações com mais locais de rede que equipes de TI. E essas organizações têm aplicado vários métodos para gerenciar os equipamentos. Algumas escolas, por exemplo, utilizam equipes não especializadas, que são formadas por professores de matemática ou ciências para administrarem suas redes. Porém o sucesso desse método depende muito de cada professor.

Em qualquer que seja o caso, esse profissional irá operar em modo de reação, agindo apenas quando problemas ocorrem, em vez de ser proativo e prevenir essas situações. Seu trabalho principal, que é lecionar, tem prioridade sobre o papel de administrador de redes, e o resultado disso é que eles fazem apenas o necessário para manter a rede funcionando.

Outra estratégia adotada é a terceirização do serviço de manutenção de rede, o que é uma forma de garantir a disponibilidade de uma equipe técnica qualificada para agir em diversos lugares. Entretanto, essa abordagem também possui alguns inconvenientes, como os custos, visto que conhecimento técnico de rede de dados não é barato, mesmo que contratado somente quando necessário.

Tem também a questão da equipe contratada, diferente de uma equipe interna, não ter um forte incentivo para aprimorar a rede ou antecipar problemas. Tarefas de manutenção serão tratadas como uma série de eventos únicos, sem a visão do todo da segurança da rede. Além disso, utilizar serviços contratados exige especificações mais completas dos serviços requeridos. Ao menos que as tarefas sejam claramente detalhadas, desentendimentos e custos adicionais irão ocorrer.

Enviar equipes de TI de centrais para localizações remotas também pode ser uma solução. Essa abordagem remove as complicações e desvantagens de usar empresas contratadas para realizar serviços de manutenção de rede. Porém, não é uma boa opção de custo-benefício. Fazer um engenheiro de redes qualificado passar horas viajando para diversos lugares para realizar tarefas de manutenção não é melhor forma de utilizar as habilidades desse profissional.

Fica claro que nenhuma destas abordagens é a ideal, mesmo que apresentem um certo mérito na solução de problemas. Organizações com recursos limitados, mas com redes espalhadas por diversas localidades, precisam de melhores soluções para gerenciamento dessas redes remotas.

A solução está na compra de equipamentos com conectividade e controle remoto dos equipamentos, que façam a coleta de dados backhoul por meio de sensores ambientais, vídeovigilância, controle de sinalização eletrônica, serviço de informações de histórico local, wireless hotspot, serviço de informação em estações sem equipes e comunicação com estações meteorológicas automatizadas.

Ao administrar remotamente uma rede local, o gestor de TI fica mais tranquilo e pode otimizar o uso de recursos, garantir a operação e desempenho, com uma abordagem proativa e preventiva, por meio de monitoramento dos elementos de rede, emissão de relatórios gerenciais, recomendações e ações corretivas. Sem dúvida, uma solução rápida e eficaz.

(*) É vice-presidente de Vendas para a América do Sul da Allied Telesis Brasil.

As startups vão substituir grandes empresas ou serão incorporadas por elas?

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Nas últimas semanas nos deparamos com duas grandes notícias de forte repercussão no mercado de startups no Brasil. A primeira foi a compra de 49% da corretora XP Investimentos, considerada pelo mercado a fintech brasileira mais bem-sucedida, pelo Banco Itaú, por R$ 6,3 bilhões. A outra foi o aporte de US$ 100 milhões que o aplicativo brasileiro 99, que permite chamar táxis e carros particulares, recebeu da empresa japonesa SoftBank. Esses dois exemplos, em cenários distintos, mostram a força desse setor na economia e isso faz com que surjam diversos questionamentos, como por exemplo: será que as startups vão substituir as grandes empresas ou serão incorporadas por elas?
Vivemos o boom do empreendedorismo tecnológico, para cada setor da economia que olhamos há startups oferecendo soluções para dar mais praticidade ao dia a dia das pessoas e, principalmente, dos negócios. Claro que ainda há muito espaço para ser conquistado e uma de nossas missões é que em 2035, 5% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro seja provido pelo setor. É uma meta audaciosa, porém plausível, basta ver o crescimento do mercado.
Nos próximos anos, veremos com mais frequência as grandes empresas se aproximando das startups, não somente com a intenção de adquirir negócios, mas também com o objetivo de somar esforços em prol da melhoria de ambos. É fácil perceber esse movimento com hackatons, projetos de aceleração, pitch corporates e até coworkings financiados por grandes empresas, mas qual é o intuito dessas iniciativas. Elas servem para monitorar, incorporar e aprender com as startups e as novas tecnologias que estão surgindo. As empresas e processos estão ficando cada vez mais tecnológicos e isso não é mais segredo para ninguém. Acompanhar essas mudanças requer ficar próximo a elas e é esse movimento que estamos vendo.
Nessa equação não são só as empresas que saem ganhando. Startups ganham vendendo suas soluções, conseguindo mais ferramentas e recursos e se aproximando de grandes líderes do mercado. A colaboração entre empresas e startups traz ganhos para todos os lados, inclusive para o consumidor que se beneficia de produtos cada vez mais ágeis, inovadores e personalizados.
É claro que teremos também cada vez mais o movimento de aquisição, seja por conta de soluções tecnológicas ou apenas pelo simples fato de tirá-las do mercado e acabar com a concorrência. Porém, quem abre uma startup já sonhando em vender o negócio para uma grande empresa, está investindo errado no negócio. Vender é efeito colateral de um produto bem feito e isso leva tempo e, principalmente, muito esforço.
Creio que veremos cada vez mais essa aproximação entre os dois lados, por meio de relações saudáveis que irão beneficiar não somente as startups e grandes empresas, mas sim toda a sociedade, gerando novos empregos e oportunidades de negócios gerando um impacto social positivo para todos.

(Fonte: Rafael Ribeiro é diretor executivo da ABStartups. Formado em ciências da computação e com especialização em marketing, Rafael foi co-fundador da Weblinia e da Monster Joy).

Internet das Coisas converte visitante do varejo em cliente

Paulo Henrique Pichini (*)

A compra da rede de supermercados Whole Foods pela Amazon consolida um movimento muito forte do varejo mundial: a dissolução das barreiras entre o mundo digital e as operações tradicionais de comércio

A Amazon está acostumada a mapear as buscas e decisões de compra de seus usuários online. A meta é aprofundar o perfil analítico daquele consumidor e, a partir daí, gerar incentivos para essa pessoa comprar outros produtos. Essa mesma estratégia será, certamente, usada pela Amazon nas 460 lojas físicas da rede Whole Foods. Para coletar dados sobre o comportamento do cliente dentro da loja física, a Amazon investirá em tecnologias IoT (Internet das Coisas) como sensores, alarmes e analisadores de presença em tempo real de cada um dos visitantes da loja Whole Foods. Essa infraestrutura invisível aos olhos do consumidor dará origem a grandes volumes de informação, que após passar pelos moedores e transformadores de dados (analytics) retornam em formato resumido (dashboards) que permitem tomadas de decisões imediatas.
Essa rapidez é essencial no mundo do varejo, com características originais e exclusivas em comparação a outras verticais. Vendas, promoções, lançamentos e outras movimentações têm um timing muito específico: o médio e longo prazo em varejo alcança uma semana, duas no máximo. O curto prazo é no mais tardar amanhã de manhã.
É dentro deste dinamismo de processos que novas tecnologias e soluções estão se posicionando dentro de lojas e áreas de comércio de produtos. Isso acontece independentemente de seus valores de ticket, que via de regra caracterizam-se pela larga escala e baixo valor médio. É um universo com alto volume de visitantes e, hoje em dia, baixo volume de negócios. Uma loja de departamentos, por exemplo, avalia que de cada 100 visitantes que entram na loja, somente 40 chegam ao provador e, destes, somente 6 efetivam algum tipo de compra. Destes 6, possivelmente 1 ou 2 comprarão algo extra e não planejado.
Trata-se de uma janela de oportunidades que, se bem trabalhada, pode multiplicar o faturamento de uma rede de lojas em curto espaço de tempo.
O varejo já está pesquisando sensores que alavanquem vendas. Isso é feito a partir do maior detalhamento de produtos ou, ainda, de sugestões de produtos complementares ao já adquirido pelo cliente. Muitas soluções baseadas em RFID, NFC e outros códigos e sensores podem melhorar a experiência do consumidor, oferecendo maior volume de informações. O momento atual da economia, porém, faz com que o gestor do varejo priorize o conhecimento dos visitantes e o aumento da capacidade de conversão das lojas (efetivação da compra do produto).
A Internet das Coisas para a vertical varejo toma várias formas – esse conceito está por trás de soluções como Beacons, câmeras conectadas às soluções de Video Analytics, etc. Nesse momento, existem profundas discussões sobre que tecnologias IoT usar para melhor entender um visitante da loja e suas características. A meta é extrair informações estratégicas, que possam melhorar a experiência do consumidor em sua próxima visita à loja. As perguntas mais comuns estão ao redor do uso de Beacons (Bluetooth), em especial sobre o novíssimo Eddystone (solução da Google similar ao Bluetooth). Plataformas como Wi-Fi (rede sem fio), POS (Point of Sale – ponto de venda) e, finalmente, o Video Analytics também chamam a atenção do mercado.
Os Beacons reconhecem a chegada do visitante na loja. Para isso, basta que a pessoa esteja com a função Bluetooth ativada em seu dispositivo móvel. Essa tecnologia tem áreas de cobertura bastante restritas. Com isso, em grandes lojas, o número de Beacons espalhados deverá ser grande, o que impacta o custo total da solução. De acordo com o relatório Proxbook de 2016, hoje metade da indústria suporta o padrão Beacon Google Eddystone.
O Wi-Fi, por outro lado, é uma tecnologia bastante conhecida. É comum encontrarmos redes Wi-Fi em 70% das áreas urbanas. Por essa razão, o Wi-Fi utilizado em soluções de Retail Analytics é mais facilmente implementado. O ponto vulnerável desta opção é que essa plataforma não produz informações analíticas que mereçam destaque. São soluções básicas, que não exigem App instaladas nos dispositivos móveis dos potenciais consumidores. O leque de escolhas do varejo é complementado, ainda, pelo POS. Essa tecnologia é equipada para cobrir com competência todo o ambiente da loja física. Por outro lado, o POS só atuará sobre clientes que efetivamente completarem a aquisição do produto.
Uma das ofertas mais ricas é o Video Analytics, solução de software que permite que se analise automaticamente o video de pessoas dentro da loja.
Segundo pesquisas da Market&Markets, esse mercado atingirá 2,61 Bilhões de dólares até o final deste ano. Até 2022 essa marca chegará a US$ 11,17 bilhões. As novíssimas soluções baseadas em Video Analytics têm um diferencial importante. As câmeras apresentam capacidade de análise, processamento e em alguns casos até armazenamento de informações. O dado assim tratado será enviado, a posteriori, aos motores de analytics, devolvendo dashboards muito mais completos.
Note que todas estas tecnologias e soluções são capazes, dentro de suas limitações, de reconhecer a chegada de um visitante (primeira visita à loja), ou, ainda, de identifica-lo novamente em segunda visita. Neste caso, entra em cena algum tipo de App, presente no dispositivo móvel do consumidor.
Para cada ambiente e necessidade, espaço físico e perfil de negócio, estas tecnologias são integradas e trabalham de forma mais ou menos eficiente. A meta é medir o número de visitantes, os diversos tempos dele dentro da loja e em áreas especificas nesta loja (dwell time), as taxas de conversão, a eficiência das promoções, o gênero e a faixa etária do visitante, etc. São informações que aumentam agressivamente o poder de decisão do board (normalmente remoto, longe da loja), mas também de colaboradores locais. Isso é feito de forma instantânea ou online.
De qualquer maneira, a combinação das várias tecnologias para varejo em espaços e necessidades diferentes é sempre o mais recomendado. Como o mercado tem uma ânsia muito grande por ter a loja “acesa”, reconhecendo e entendendo todos os visitantes, a indústria do varejo busca de forma acelerada estas soluções. O resultado é que, muitas vezes, inicia-se uma POC (prova de conceito) sem antes se debruçar sobre um minucioso anteprojeto. Essa etapa prévia é essencial para definir quais informações e decisões são cruciais e precisam estar à disposição da solução de Retail Analytics.
Esta ansiedade retrata o momento que o segmento vive, algo bastante comum em mercados que começam a usar a Internet das Coisas. Neste quadro, as empresas buscam informações que nunca foram coletadas antes ou, então, foram coletadas, mas não de forma massiva e sem terem sido refinadas. O resultado é uma base de dados frágil, construída a partir de estatísticas superficiais ou insuficientes sobre o comportamento do consumidor dentro da loja física.
O melhor desenho do projeto e a melhor definição das informações desejadas, com acuracidade inédita, determinam o sucesso deste novo modelo de varejo físico.
As tecnologias estão maduras e podem ser implementadas de forma relativamente simples. A presença de plataformas como Beacon, Wi-Fi, POS e Video Analytics dentro do ambiente da loja física provoca inevitavelmente uma ruptura nas tradicionais formas do varejo planejar seus negócios. Este é, no entanto, o melhor caminho para os players que desejam desenhar um futuro conhecido, seguro e livre de surpresas.

(*) É CEO & President da Go2neXt Cloud Computing Builder & Integrator.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
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