Intrapreneurship - ou como "hackear" seu trabalho

Voce sabe o que é um life hack? De acordo com a Wikipédia, life hacks são truques de produtividade que podem ser aplicados para superar a sobrecarga de informação, pendências e outras tarefas do dia-a-dia. Vou mais longe. Life hack é aquela maneira nova de fazer alguma coisa que, quando acontece, você para por alguns segundos e a única coisa que vem à cabeça é: Como raios eu não pensei nisso antes!

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Leonardo Marchant (*)

Pois é. Esses hacks vão de como fazer misto-quente com ferro de passar a receitas caseiras de produtos industrializados, e em essência te mostram maneiras práticas e eficientes de fazer coisas corriqueiras da vida com uma nova abordagem.

Direto ao assunto, no entanto, estou aqui pra falar um pouco sobre uma prática que, apesar de ainda pouco difundida no Brasil, pode ser considerada um verdadeiro work hack, ou hack de trabalho: o intrapreneurship, um jogo de letras do inglês que denota uma internalização do empreendimento, ou uma criação interna. Claro que estamos falando de empresas, e dentro de uma, você não só pode empreender, como deve!

A verdade é que a postura profissional esperada de um “funcionário do mês” que pretende ganhar um aumento ou aquela promoção ao final do ano tem muito mais a ver com empreender do que você imagina.

Vamos aos fatos:

a) Gerentes estão apoiando “intrapreneurs” cada vez mais: Pesquisas nos Estados Unidos apontam que gerentes e diretores das grandes empresas já perceberam o valor aportado por funcionários que buscam entregar mais do que suas responsabilidades diárias. Encontrar soluções a problemas do dia-a-dia da empresa melhora resultados e faz a equipe ganhar visibilidade e pontos com a alta direção. A tendência é que o comportamento se espalhe por outros países e regiões;

b) Pequenas empresas tem mais facilidade de implantar a cultura da inovação interna: com estruturas mais enxutas, equipes menores e processos menos complexos, pequenas empresas estão mais inclinadas a fomentar uma cultura inovadora. Também por isso, visualizar os resultados em empresas menores é mais fácil e rápido, criando um circulo virtuoso de inovação. Para compensar essa falta de agilidade, grandes empresas estão criando incubadoras internas e criando políticas e uma cultura de inovação. Informe-se dentro de sua empresa e aproveite-se desse ambiente.

c) O intrapreneurship impacta positivamente resultados das empresas: Um estudo da Universidade de Lisboa com 217 empresas portuguesas mostrou uma relação direta entre os resultados da empresa e sua produtividade e a cultura de inovação corporativa, ou intrapreneuship. Em tempos de crise essa relação fica ainda mais evidente, e é importante manter-se antenados nas novas tendências para que sua equipe ou sua empresa gerem melhores resultados.

Como vimos, empreender dentro de sua empresa e começar a fomentar a cultura da inovação sao conceitos novos, mas fundamentais. É verdade que os riscos de um empreendimento afastam pessoas com um perfil mais conservador, que preferem a certeza de um salario, benefícios e estabilidade à montanha-russa emocional (e financeira) que é empreender, mas o comportamento empreendedor pode ajudar muito sua carreira!

Aqui vão algumas dicas para incorporar esse hack à sua rotina profissional:

1) Encontre um mentor: Procure orientação de seus superiores e identifique eventuais políticas de inovação interna. Muitas empresas já estão criando um ambiente para favorecer essas iniciativas, e dar o primeiro passo procurando informação pode abrir portas importantes.

2) Crie uma rede de pessoas que compartem seus ideais: identifique pessoas no ambiente de trabalho que se interessam por inovação e apresentam ideias criativas para solucionar problemas corriqueiros. Adapte seu “networking” para passar mais tempo cercado daquelas pessoas que “pensam fora da caixa”.

3) Procure ferramentas corporativas inovadoras: O empreendedorismo como conhecemos ganha força rapidamente e diversas empresas oferecem soluções corporativas, focadas ao B2B, que podem automatizar processos, eliminar desperdícios, encontrar talento independente para projetos e criar novos produtos que complementam seus negócios. Procure novidades no mercado, ser um “patrocinador” de novos fornecedores, com novas soluções é a maneira mais simples de começar a empreender dentro de seu atual trabalho.

4) Não negligencie sua responsabilidades: Inovar é um diferencial cada vez mais importante, mas deve ser feito de maneira consciente e planejada. Procure iniciativas relacionadas as suas tarefas cotidianas, que podem servir de teste para novos conceitos, e eventualmente, com mais eficiência e processos mais ágeis, liberar mais do seu tempo para iniciativas mais ousadas e complexas.

(*) É CEO da bhive, advogado, banqueiro e empreendedor apaixonado por marketing e estratégia de negócio, 15 anos de experiência profissional em diversas indústrias.

Softwares: ferramentas contra a corrupção em empresas

Os recentes escândalos de corrupção acendem o alarme dentro das organizações, forçando-as a atuar de forma preventiva para que ações escusas de gestores não resultem em perda de valor, de imagem e credibilidade. O maior desafio é definir adequados mecanismos para se proteger de fraudes provocadas por desvios de conduta de executivos, as quais se tornam cada vez mais comuns.
Uma pesquisa elaborada pela HSD Consultoria em RH e pela Orchestra Soluções Empresariais sobre o perfil comportamental de profissionais que ocupam cargos de comando em médias e grandes empresas apontou crescimento do número de executivos com desvio de caráter nos últimos cinco anos. No levantamento atual, realizado a partir de 3.500 processos de avaliações comportamentais feitas entre 2014 e 2017, 27% demonstram desvio de conduta que resultam em potenciais riscos para as empresas onde atuam. O anterior, de 2013, 20% de 5 mil avaliações realizadas identificavam esse perfil.
Em geral, as fraudes acontecem na área fiscal e contábil, mas também atingem a gestão estratégica, da qual informações sigilosas são ‘roubadas’ para serem usadas como objeto de troca ou até mesmo de chantagem. Não é incomum encontrarmos ainda desvios de recebimentos ou pagamentos financeiros, liberação de mercadorias, faturamento sem nota e enquadramento incorreto de tributação.
Identificar e mapear o perfil comportamental e os fatores estruturantes da personalidade dos executivos a serem contratados é um dos pontos importantes para que fraudes sejam evitadas, mas a tecnologia é que pode oferecer um maior controle de todas as movimentações. Os Softwares de gestão empresarial além de atuarem como antifraude, pode apontar desvios de padrão que ajudam a identificas outros tipos de desvios. Estes sistemas ainda permitem identificar tendências de mercado, elemento fundamental para a tomada de decisões.
O uso da tecnologia de forma preventiva reduz o risco do fator humano, que busca agir de acordo com os próprios interesses. Neste sentido, os sistemas devem ser projetados para rastrear as operações e seus responsáveis. Podem, por exemplo, bloquear alterações de regras de negócios, preços e outros, evitando que as políticas da empresa sejam burladas ou ocorram em desacordo com a legislação. Esses softwares, por meio da restrição de acesso, delimitam e registram os responsáveis para cada tipo de movimentação e impedem, entre outros, movimentações com valores divergentes, vendas sem emissão de documentos fiscais, o que garante a idoneidade das operações da empresa.
A inteligência artificial tem se mostrado um grande aliado nesta área, podendo ser aplicada em diferentes áreas de negócios acompanhado as operações e tendências, revelando uma série infindável de dados antes ignorados por gestores, a tecnologia se tornou fundamental para a estratégia de negócios e redução de riscos e competitividade das organizações.

(Fonte: Robinson Oscar Klein é o responsável pela área de sistemas e tecnologia da Orchestra Soluções Empresariais, associação inédita de organizações prestadoras de serviços especializados, interdisciplinares e complementares que atuam no atendimento das
demandas de gestão das empresas).

Como os sistemas de monitoramento de transações estão falhando com os Mirror Trades

Jim Burnick (*)

Fora do segmento bancário, a maioria das pessoas provavelmente nunca escutou o termo “mirror trades”, mas no mês passado o Deutsche Bank ganhou as manchetes, dando destaque para os mirror trades e fazendo com que outras instituições financeiras (FIs, na sigla em inglês) reconsiderassem a eficiência de seus sistemas de monitoramento de transações (TMSs, na sigla em inglês)

Mirror trading, ou copy trading, ocorre quando na compra e venda das mesmas ações ao portador, sendo uma transação logo após a outra. As Instituições Financeiras têm feito mirror trades legais há anos na esperança de lucrar, normalmente uma garantia se os negócios forem feitos em duas moedas diferentes (prática também conhecida como monetização da moeda), que foi o caso do Deutsche Bank.
À primeira vista, não fica claro porque os mirror trades são considerados “ruins”, ou porque as FIs que usam desta prática podem estar sujeitas a multas de milhões de dólares. Para o negociante ganancioso, é uma maneira rápida (ainda que arriscada) de fazer dinheiro extra, e para a tecnologia de conformidade de padrão ou TMS, é apenas mais uma transação entre diferentes países. Mas ao analisar profundamente existe uma história mais ampla e potencialmente mais perigosa a ser contada. Para as agências reguladoras, é essa história que está criando preocupação e forçando as FIs a analisarem novamente como elas estão monitorando os mirror trades.

Causa de Preocupação
Tendo em vista a crise financeira de 2008 e a queda da Lehman Brothers, talvez não seja surpresa que os reguladores estejam mais rigorosos atualmente quando se trata de regulamentações financeiras. Seja por meio de leis como a Conheça o Seu Cliente (KYC, na sigla em inglês) ou a Lei do Sigilo Bancário (BSA, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, ou inúmeras outras medidas legislativas específicas para cada país, os bancos estão enfrentando uma maior pressão para obedecê-las. Os reguladores, particularmente nos EUA, estão aplicando multas recordes às FIs flagradas negociando com partes ou países sancionados, ou por não cumprirem de forma apropriada as iniciativas para coibir a lavagem de dinheiro.
Mirror trades são apenas um exemplo da violação da conformidade já que a sua existência implica a falta de infraestruturas para identificar problemas de conformidade. No caso do Deutsche Bank, o banco estava em uma situação clara de graves e generalizados problemas de cumprimento de leis que remonta a uma década.
O Deutsche Bank perdeu oportunidades-chave de identificar e interceptar um esquema de mirror tranding envolvendo pelo menos 12 entidades de Moscou, Londres e da Cidade de New York. Essas oportunidades perdidas destacam uma falha sistemática não detectada ou sinalizadas pelos TMSs existentes – e à medida que esses sistemas perdiam mais bandeiras vermelhas, se tornavam mais vulneráveis para outros crimes financeiros, como a lavagem de dinheiro.

O Elo Perdido dos TMSs
Então como monitoramos de fato atividades legais ou intenções ilegais? Todas as transações internacionais deveriam ser tratadas como tendo alta possibilidade de lavagem de dinheiro?
Para mim, não há dúvidas de que grandes transações, especialmente as internacionais e com moedas diferentes, deveriam sempre receber uma alta prioridade quando se trata de monitoramento. Mas para fazer isso, é fundamental que as FIs possuam sistemas projetados para detectar este tipo específico de atividade potencialmente fraudulenta.
Normalmente feitos de forma eletrônica, os mirror trades são tão encobertos que sistemas normais como KYC e CDD (Customer Due Diligence ou diligência devida do cliente) não conseguem identificá-los.
Isso deixa as FIs em uma situação difícil, enfrentando altos custos em ambos os lados da questão e dos processos de conformidade que estão sendo rapidamente superados pelas expectativas das agências reguladoras. A conformidade por si só é um processo imperfeito, normalmente dificultada pela configuração fragmentada do software defasado que os bancos usam, bem como pelos bancos de dados dos sistemas e linhas de negócios. Isto faz com que conhecer bem o cliente seja uma dura tarefa.

Mergulhando mais fundo com os dados
Felizmente, recentes avanços tecnológicos permitem que as FIs reduzam os custos de conformidade sem a necessidade de eliminar e substituir seus TMSs. Com uma abordagem baseada no relacionamento que auxiliam os TMSs, as instituições podem atingir o propósito duplo de reduzir falsos positivos enquanto melhoram a detecção de atividades suspeitas de um modo geral.
Esta nova abordagem combina iniciativas de qualidade de dados que ajuda a conformidade de algumas maneiras: encontrando os dados das partes que fazem as transações independentemente dos dados existirem ou não dentro de uma instituição, os corrigindo quando necessário, ligando as partes e transações relacionadas, mesmo quando esses relacionamentos não forem óbvios e/ou deliberadamente encobertos; e visualizando os relacionamentos em um mapa real para que as anomalias possam ser identificadas de forma mais rápida e fácil.

Uma abordagem baseada no relacionamento
A abordagem baseada no relacionamento é fundamental para manter a conformidade já que permite que os TMSs reconheçam as entidades associadas com pessoas politicamente expostas, que tenham sido sujeitas a coberturas midiáticas negativas sobre seus negócios ou transações passadas, ou se o nome dela aparece em listas de viga monitoradas pelo Ato Patriota. No caso do mirror trading, os dados baseados em relacionamento possuem a habilidade para peneirar quaisquer intenções ilegais associadas a atividades legais.
Ao focar nos padrões e parâmetros estabelecidos que monitoram atividades como mirror trades, as FIs podem acompanhar melhor atividades potencialmente fraudulentas e alertar as autoridades para investigação. Por outro lado, as FIs tornam-se mais eficientes, reduzindo o fardo investigativo e deixando mais tempo livre para ir atrás de positivos verdadeiros, ao invés de falsos positivos que podem contabilizar mais de 98% de todos os alertas de TMS em algumas instituições.
O sistema financeiro dos EUA é a espinha dorsal da economia mundial. Ao mesmo tempo em que as regulamentações de conformidade podem ser complicadas e caras, elas são necessárias para o sucesso e a segurança do mundo e de seus cidadãos. Uma abordagem baseada no relacionamento adiciona um nível de precisão muitas vezes perdido por TMSs tradicionais e que garante que as FIs cumpram as regras de conformidade e regulamentações em constante evolução.

(*) É Diretor de Serviços Financeiros da Pitney Bowes