Cinco características mais comuns de um profissional mediano

A Dona Irene, senhora do cafezinho, me disse uma vez: “Esse povo não quer trabalhar, só quer emprego”. Sábia, essa dona Irene

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Fábio Jascone (*)

Afinal, enquanto alguns profissionais buscam sempre atualização e novos caminhos para liderar mudanças efetivas em seus mercados, há também os profissionais medianos, ou seja, aqueles que preferem a zona de conforto de fazer meramente o necessário e seguir uma rotina que tem a duração exata da jornada de trabalho acordada na sua contratação.
E não é difícil identificar esse tipo de colaborador nas empresas. Na verdade, há cinco características que não podem faltar em um típico profissional mediano:

1. Trabalhe das 8h às 18h
Seja pontual! Entre às 8h e saia sempre às 18h, mesmo sabendo que vai interromper uma linha de raciocínio ou que poderia finalizar algo importante. Prefira deixar tudo para o dia seguinte apenas porque deu 17h59 no relógio. Esta é uma prática comum de quem quer ficar na média, tem medo de se destacar e de superar expectativas. Este é o caminho para virar o melhor profissional mediano.
Estar disponível para a empresa, para a equipe, ou ainda para finalizar algo importante quando mais oportuno – independentemente do horário de trabalho previamente acordado – não significa necessariamente ser workaholic.
É essencial ter equilíbrio e prioridades: filhos, esposa, família, amigos sempre deverão estar no topo dessa lista. Mas o melhor profissional não é aquele que expressa em sua marcação de ponto a qualidade da pontualidade. O melhor profissional esquece de bater ponto porque estava entusiasmado em uma atividade. É aquele que faz suas entregas com qualidade e dentro do prazo – independente do horário que chegou ou saiu. Afinal, uma empresa não quer apenas pontualidade, mas entregas de valor.

2. Muro das lamentações
Reclame. Do dia, da chuva, do sol, do verão, do inverno, do horário, do café, do chefe, do RH. Se não tiver motivos para reclamar, invente um. Aproveite para reclamar da empresa ou falar mal de alguém, principalmente naqueles momentos de interação com a equipe ou com outras áreas – oportunidades onde poderia estar trocando experiência, destacando-se, compartilhando e adquirindo conhecimento. Não perca a chance de ser um excelente profissional mediano. O melhor de todos!
A empresa na qual você trabalha pode não ser perfeita, assim como tudo na vida, mas sempre há algo a se fazer para melhorar continuamente. E existem dois tipos de pessoas: as que se envolvem com a mudança e as que reclamam dela. Qual desses é você?
Nem sempre é possível apertar todos os parafusos quando queremos. Precisamos priorizar, aguardar o melhor momento, tomar decisões, deixar de comprar algo para privilegiar a educação dos filhos, por exemplo, ou realizar um investimento. O mesmo acontece na empresa onde trabalhamos. E quanto maior ela for, maiores são os problemas e maiores os impactos das decisões. Leve sempre isso em consideração e lembre-se de que, para além do comportamento mediano, há sempre a possibilidade de transformar problemas em oportunidades.

3. Terceirize a sua carreira
Quem não se capacita ou não se preocupa em aperfeiçoar seus conhecimentos —  acha que sabe tudo, ainda mais com a infinidade de opções disponíveis na internet gratuitamente – é um profissional mediano, que nunca vai deixar de ser uma lagarta para virar borboleta, para fazer uma analogia bem simples. E, se você responsabiliza a empresa por não oferecer treinamentos, estará sempre em segundo plano, na sombra de quem realmente se destaca.
Independentemente dos processos de capacitação ou dos benefícios oferecidos, a carreira é do CPF, não do CNPJ. E, para sermos honestos, a empresa não tem obrigação nenhuma com a carreira de ninguém. O que ela oferece, quando pode oferecer, é lucro. O conhecimento que adquirimos é nosso, não da empresa. As certificações que conquistamos são nossas, não da empresa. A rede de contatos que cultivamos é nossa, não da empresa. Bem como a experiência que adquirimos.
Tudo isso enriquece o nosso currículo e nos torna melhores, com carreiras sustentáveis diante do mercado de trabalho.
O conhecimento que você adquiriu em um passado distante, em cursos de formação ou técnicos, provavelmente o levaram ao cargo atual. E hoje, quais as capacitações que você está buscando para conquistar os próximos cargos? Isso é o que acredito ser a melhor maneira de construir uma carreira sustentável.

4. Seja dependente da sua empresa
Quem trabalha com medo de perder o emprego ou com o pensamento de que precisa dele somente para pagar as contas, é definitivamente um profissional mediano. É sobre isso que a dona Irene se refere com a frase citada lá no começo deste texto.
O medo é provocado por uma incerteza, que vem da falta de segurança. Essa insegurança é resultado da insuficiência de conhecimento para exercer com esmero a função. Isso acaba em um trabalho sem convicção, mediano.
Se você sabe ou sente que lhe falta competências para realizar com excelência suas atividades, é porque realmente falta. Estude para aperfeiçoar a prática. Não deveríamos pensar que dependemos da empresa, mas que ela depende de nossos conhecimentos, habilidades e atitudes. A remuneração deve ser consequência, não razão do trabalho. E quando a remuneração, o comprometimento e o resultado não estão em harmonia, talvez seja hora de procurar algo melhor, em vez de perder tempo reclamando da lama enquanto afunda nela.

5. Faça somente o que é pago para fazer
Faça somente o que estiver na descrição do seu cargo. Quando houver espaço para demostrar que é capaz de fazer além, questione: “Eu não sou pago para fazer isso”. Com certeza assim você será o melhor profissional mediano que existirá na sua empresa.
Quem sempre faz somente o que deve ser feito não cria evidências que justifiquem uma promoção. Não demonstra que é capaz de ir além dos requisitos do cargo que ocupa. Nesse contexto, não vale o “pagar para ver”. É justamente o contrário: é preciso apresentar resultados favoráveis para ter mérito.
Um reajuste ou promoção não vem do nada. O gestor não acorda determinado dia com vontade de dar aumento ou promover alguém. Tudo deve ser argumentado, com evidências que comprovem o mérito. O papel do gestor é ser o mensageiro da solicitação.
Como dá para ver, não é tão difícil assim se tornar um profissional mediano. Mas também não é difícil fugir desse estigma. Para encontrar o caminho da renovação profissional é preciso, acima de tudo, ter um propósito, que será alcançado somente com o investimento em conhecimento e aprimoramento. Apesar da zona de conforto parecer um ambiente seguro, na realidade ela acaba limitando o nosso potencial de crescimento. É preciso sempre ter em mente que você é o protagonista de sua história dentro da empresa, e que é capaz de construir grandes benefícios para todos: você e a sua empresa.

(*) É coordenador de Sistemas da Senior, uma das maiores empresas especializadas em tecnologia para gestão do País

Riscos e benefícios da Inteligência Artificial à serviço da saúde

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Na sala de cirurgia, com a supervisão de um médico, um robô realiza com absoluto sucesso um delicado procedimento intraocular. O risco de infecção pós-operatória do paciente é reduzido drasticamente graças a outros robôs que usam luz UV para desinfetar os quartos hospitalares. A recuperação também tende a ser bem-sucedida porque uma plataforma oferece o acompanhamento remoto contínuo do estado do paciente. Esta realidade é possível com as novas tecnologias de inteligência artificial aplicadas à saúde. Mas, afinal, qual será o seu real impacto no segmento de saúde corporativa?
Uma recente pesquisa liderada pela HMISS Analytics revela que 35% das organizações de saúde planejam alavancar o uso da inteligência artificial dentro de dois anos - e mais da metade pretende fazê-lo dentro de cinco.
Uma análise cuidadosa do atual cenário e do que está por vir aponta um caminho repleto de benefícios e, ao mesmo tempo, de riscos que precisarão ser discutidos pela comunidade médica, por empresas, pelo governo e, é claro, pelos cidadãos.
Comecemos pelos benefícios: em primeiro lugar, a capacidade de gerar inteligência a partir da análise de uma enorme quantidade de dados irá proporcionar a predição de casos graves e de complicações de doenças crônicas, sem falar na melhor previsão de permanência hospitalar. E certamente não param por aí. O uso de prontuários médicos eletrônicos inteligentes dando suporte ao médico para diagnósticos e tratamentos irão aumentar a eficiência dos serviços. Os laudos de exames de imagem com uso de inteligência artificial terão mais acurácia e menor margem de erros.
Mas, e o custo de tudo isso? Sabemos que investimento inicial para a implementação de tais tecnologias é muito elevado. Contudo, é necessária uma visão de longo prazo, pensando no retorno que certamente será maior e se traduz também na redução do desperdício, auxílio na coordenação do atendimento e maior eficiência, sem falar na possibilidade de redução de erros médicos.
O fato é que também existem riscos atrelados a estas tecnologias. O uso de IA depende de uma base de dados robusta e consistente e existe a preocupação de que a tecnologia seja usada de forma inadequada: é o caso de empresas da área de saúde que podem usar a predição para não aceitar pessoas com condições clínicas não interessantes do ponto de vista financeiro. Para evitar isso o processo deve prescindir de planejamento e aval da comunidade médica.
Será igualmente importante encontrar um equilíbrio entre estes avanços e as questões éticas da medicina, principalmente no que diz respeito à coleta de dados dos pacientes. Isso só será possível mantendo o sigilo médico sob responsabilidade apenas dos profissionais de medicina e punindo os responsáveis por uso indevido de informações confidenciais, por exemplo, para fins comerciais
Defendo que, em qualquer ocasião, riscos e benefícios devem ser colocados na balança. A história está aí para nos provar que, diante de qualquer inovação, mesmo entre erros e acertos, falhas e aprendizados, é muito difícil ignorar movimentos que representam evolução e novas possibilidades.

Quatro passos de uma trajetória omnichannel de sucesso para bancos

Jorge Andres Gomez (*)

A expressão omnichannel é velha conhecida no setor financeiro, porém há ainda uma dificuldade em fazer a transição da teoria para a prática

Com mais pessoasutilizando diversos dispositivos em suas rotinas diárias, especialmente em operações bancárias, é preciso que os bancos adotem uma ampla abordagem em todos os canais,caso contrário correm o risco de serem ultrapassados pela concorrência.
Em primeiro lugar, é importante definir exatamente o que queremos dizer com a expressão "banco omnichannel". Em sua essência, refere-se a uma abordagem centrada no cliente que independe do canal utilizado para a interação.
Como exemplo, podemos considerar um cliente que inicia um processo de pedido de empréstimo por meio do notebook, dispositivo móvel ou mesmoindo até a agência. No atual cenário, este cliente não poderia alternar entre os canais facilmente, depois de dar início ao processo. Porém, com uma abordagem omnichannelesse cliente poderá iniciar seu pedido em um notebook, fazer perguntas por telefone e, em seguida, finalizar o processo em seu dispositivo móvel. Além de poder consultar suas contas, transações e informações de qualquer lugar, a qualquer momento, utilizando o dispositivo de sua escolha, sem eventuais problemas técnicos e sem precisar repetir diversas vezes seus dados do banco e/ou pessoais em cada interação.
Parte importante desta questão é o cuidado com a integração dos canais digitais acessados por meio de dispositivos móveis, que já passaram de tendência e caíram de vez no gosto dos clientes dos bancos. De acordo com aPesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária divulgada pela Federação Brasileira de Bancos, em 2016 o mercado financeiro experimentou uma alta de 96% das transações bancárias em mobile banking, um total de 21,9 bilhões, em 2015 este montante foi de 11,2 bilhões, quase o dobro.
Além disso, de acordo com a pesquisa a evolução das transações por preferência do usuário também mostra alta de operações sem movimentação financeira nas agências, sinalizando mudança de perfil do canal para o atendimento consultivo.
As organizações precisam compreender o que significa colocar em prática uma estratégia omnichannel, trata-se de uma transformação que impactará todos os aspectos de seus negócios, porém se for bem-sucedida os resultados serão o incremento de receita e a fidelização dos clientes.
Para que os bancos possam obter êxito emsuas iniciativas omnichannel é essencial seguirquatro passos:
1. Promova a modernização: As instituições financeiras estão se empenhando para desenvolver um ponto de vista holístico "centrado no cliente" que mantenha um perfil consistente do cliente, independentemente do produto financeiro em questão. No entanto, os sistemas legados que muitos bancos utilizam são um empecilho para o sucesso desta estratégia, isso porque muitas vezes este legado opera em segmentos específicos e para superar esse impasse, é necessário adotar uma estrutura tecnológica completamente aberta. Esta é uma oportunidade para os bancos explorarema tecnologia para modernizar seus sistemas, sem a necessidade de reformular toda a sua rede ou infraestrutura existente.
2. De olho no Big Data: Outra questão importanteé o potencial daanálise avançadade dados, uma imensa oportunidade para as instituições financeiras. Ao explorar o Big Data, as empresas podem ter a perspectiva necessária para proporcionar experiência de maior valorpara seus clientes, fortalecer os métodos de prevenção contra fraudes e roubo de identidades, desenvolver programas de fidelidade e produtos mais direcionados, ou até mesmo adotar a inteligência artificial para prever certos comportamentos dos clientes. O Big Data também é uma ferramenta poderosa para prestar assistência em decisões de investimento, pois pode ajudar os bancos a se manterem um passo à frente de tendências, oportunidades e ameaças existentes no mercado. Os bancos devem levar em conta esses dados e ter um plano para tirar proveito deles.
3. Integrar toda a infraestrutura: Um ecossistema omnichannelde sucesso terá de considerar e integrar todas as camadas da infraestrutura (middleware), além de precisar de uma combinação de nuvens privadas, que os bancos utilizam para garantir segurança máxima dos dados e nuvem pública, que permite maior flexibilidade e menor limitação de acesso e armazenamento de dados menos sensíveis.
4. Garantir a segurança cibernética: Por fim, é importante contar com medidas de segurança para cada aspecto das transações. Além da identificação e da verificação vista pelo cliente ao utilizar algum produto ou serviço financeiro, a infraestrutura omnichannel deve incluir também a segurança dosdata centers, redes, plataformas e aplicativos, serviços de firewall de última geração e de proteção contra os ataques de negação de serviços (DDOS). Além de tudo isso, novas tecnologias como microssegmentação baseada em identidade e criptografia podem ajudar os bancos a fortalecer a segurança cibernética, criando micro segmentos dentro da rede da organização que podem ser acessados somente por usuários autorizados, desta forma aqueles sem autorização sequer conseguem identificar a existência deste segmento, uma camada extra de segurança que vai além do firewall.
Ao criar um ambiente no qual o cliente é capaz de reconhecer medidas de segurança rigorosas, sem ter ou notar obstáculos pararealizar transações bancárias com flexibilidade e em diferentes plataformas, os bancos poderãofortalecer o relacionamento com seus clientes, promover a fidelização e estimular o crescimento dos negócios.

(*) É Diretor para Indústria Financeira da Unisys para a América Latina.